Nós nos entreolhemos. E naquele momento tudo mudou. Percebi o que realmente havia feito. Quando pela primeira vez tive certeza de que estava fazendo algo por mim. Eu me dei conta que poderia ser o eixo da vida de uma pessoa, algo que me prendesse ali. Achei que a minha presença bastaria. Segurei por vezes o seu rosto e sentia nossas lágrimas de misturarem numa silenciosa despedida. Enquanto ele me puxava com força para perto. Encostava o meu rosto no dele, chorando e rindo, ignorando o fato que logo partiria. Ignorando tudo, exceto o homem á minha frente.
Eu não ia parar de chorar por ele, nem de amá-lo, nem de sentir a falta dele.
As pessoas cansam do luto, é como se tacitamente nos déssemos um tempo e depois ficássemos um pouco irritadas por não ter “melhorado”. É como se tivéssemos sendo autoindulgente ao nos prender á nossa felicidade.
Logo cedo atravessei o embarque me sentindo, no fundo, orgulhosa do meu pequeno passo para descobrir que a vista do outro lado é incrível.
E que por mais que parecesse naquele momento impossível, ou mera empolgação eu cultivei em mim os melhores sentimentos.
- 8 dias e como você está menina?
- Com saudades!
Quando ouço de alguém que a estação preferida é o outono, penso em dias assim: névoa do amanhecer se tornando uma luminosidade límpida e fresca, montes de folhas varridas pelos ventos.
Apesar de “seguir em frente”, nenhum de nós segue em frente sem olhar para trás. É normal sentir pelas coisas que os outros podem não entender, e algumas vezes por bastante tempo. Todo mundo tem um percurso próprio.
E não importa se essa pessoa não está em seis meses, anos ou alguns dias, eu tive a sorte de te-la.
After you?
Segurando com firmeza o meu passaporte, me afastei.
Eu continuaria ali.
Eu te amo, articulei sem emitir som, sem ter certeza se ele conseguia ver o movimento da minha boca dali.
Existem dias ruins, e dias em que eu me perguntaria que diabo de experiência era essa que eu tinha participado. Porque isso também fazia parte de uma aventura.
Encostei minha cabeça nele e ele mexeu em uma mecha do meu cabelo, cerrei a mandíbula e senti seu perfume, tentando roubar um pouco da sua força para mim.
Andei depressa, puxando a mala atrás de mim dei oi para um funcionário cujo rosto eu mal enxergava através das lágrimas.
“Te vejo em breve “
Lá estava ele, um sorriso largo no rosto de volta ao território americano.
Depois de você eu consigo recalcular a minha rota e seja qual for o destino.
O seu colo e o meu lar.

